Pacari
Há alguns anos tive a oportunidade de conhecer uma árvore que durante o período de inverno no cerrado, chama atenção pela beleza e delicadeza de suas flores. Isto se deu em Goiás, onde pela primeira vez eu soube das propriedades medicinais do Pacari (Lafoensia pacari), uma planta que daí em diante se tornou grande aliada de nosso trabalho.
Suas propriedades medicinais mais difundidas estão relacionadas com o combate aos quadros de gastrites e úlceras, através do uso de suas entrecascas. Isso se deve a presença dos taninos, que aos nossos sentidos gustativos nos dá a sensação de “apertamento”. Do ponto de vista físico/químico, os taninos têm a propriedade de coagular as albuminas das mucosas e dos tecidos, criando uma camada de coagulação isoladora e protetora, cujo efeito é reduzir a irritabilidade e a dor, detendo assim, os pequenos derrames de sangue.
Pesquisa realizada e publicada dá conta de que o chá de suas folhas e cascas combate com eficiência os microrganismos patogênicos de Candida albicans e Staphylococcus aureus. Assim, pode-se pensar em usá-lo em banhos, compressas ou ainda em bochechos para combater aftas ou ferimentos. Atualmente um grupo de mulheres de São Gonçalo do Rio das Pedras (MG) utiliza esta planta no preparo de sabonetes, xampus e condicionadores visando diminuir a oleosidade da pele, com ótimos resultados nas dermatites, acnes, afecções diversas da pele e do couro cabeludo.
Mas foi durante uma palestra proferida por um médico da cidade de Ceres (GO), o Dr. Evando, que realmente me encantei com as propriedades do Pacari. De acordo com ele, um raizeiro de sua região lhe chamou a atenção para as características das cascas do Pacari. Seus galhos são revestidos de várias camadas de celulose que aos poucos vão se soltando, como se estivesse “rejeitando” partes de si mesma. A partir dessa observação iniciou-se seu uso nos doentes com afecções de pele, excluídos ou rejeitados do convívio social devido à aparência física que estas enfermidades provocam.
Já tive a oportunidade de administrar o uso interno do Pacari em alguns casos com essas características físicas e psicológicas de “rejeição” e os resultados foram surpreendentes.
Preparo do Pacari
A coleta de cascas implica em seguir algumas regras básicas, como nunca retirá-la do tronco principal, pois assim você está correndo sério risco de matar a planta. Escolha sempre um galho lateral já maduro e faça sua remoção usando uma ferramenta afiada e limpa, do tipo facão ou machado. Retire e despreze os galhos mais finos e folhas, raspando em seguida toda a casca externa que recobre a entrecasca. Apóie sobre uma base dura este ramo do Pacari e bata firme com algo pesado, tipo um martelo ou um porrete para que a entrecasca se solte facilmente da madeira.
De acordo com o conhecimento tradicional, a quantidade de casca a ser colocada num copo de água fria deverá ser do mesmo tamanho da última falange do dedo mínimo do doente. Deixe curtir por algum tempo e depois vá tomando aos poucos esse macerado durante todo o dia. Simples, não é mesmo? Coisa de gente simples...
Contatos com Marcos Guião: buriti@uai.com.br
Matéria publicada na Revista Ecológico em janeiro de 2009
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